quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Cega Matilde: O retrato do descaso em Santa Cruz

Hoje habitada por mais de 300 pessoas, na periferia da periferia de Santa Cruz, a comunidade Cega Matilde, localizada no bairro Paraíso, constitui o retrato mais fiel das contradições do tão celebrado desenvolvimento turístico/religioso dos últimos anos na nossa cidade. Com ou sem o Alto de Santa Rita, o descaso e o esquecimento públicos seguem inabaláveis para aqueles que ali nascem e vivem. A carência de políticas públicas se arrasta há décadas e não dá sinais de que um dia possa mudar.
A rua de barro, nos tempos de calor, inunda as casas de poeira e nos tempos de chuva transfigura-se num tormentoso lamaçal. Uma Pocilga nas imediações, ILEGAL em zona urbana, exala um mau cheiro horroroso e potencializa os riscos de doenças. Nos fundos das casas, a rede de esgoto estourada torna o ar irrespirável.
Some-se a tudo isso o mais dramático: um lixão a céu aberto, a pouca distância da comunidade, que quando queimado emite uma fumaça tóxica extremamente danosa para saúde de gerações e gerações de crianças, adultos e idosos, além de aumentar drasticamente os riscos de doenças e a contaminação do meio ambiente.
O conjunto dessas condições pinta um quadro preocupante para a saúde das dezenas de famílias que ali residem.
Desde 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos determinou a extinção de lixões a céu aberto e a sua substituição por aterros sanitários. O último prazo venceu no fim do ano passado/2014. Já estamos para mais da metade de 2015 e a prefeitura municipal de Santa Cruz não dá sinais de que irá cumprir a lei. O projeto de construção de uma Usina de Reaproveitamento de Lixo regional, que em 2013 fora debatido com pesquisadores suecos em audiência pública no Teatro Candinha Bezerra parece que foi completamente esquecido.
Até quando estes absurdos perdurarão? Até quando a comunidade será tomada por políticos demagogos, sedentos por voto nos períodos eleitorais, para logo em seguida ser esquecida, governo após governo, como se ali não vivessem pessoas dignas, seres humanos que tem garantidos pela Constituição Federal os direitos humanos fundamentais?

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