Penitência – Jornalistas que tentavam cobrir o
debate entre os presidenciáveis acabaram ‘enclausurados’ em um
cercadinho do lado de fora do estúdio da TV Aparecida. A situação
impedia o acesso da imprensa aos candidatos – jornalistas tinham de
gritar em coro para convencê-los a se aproximar da barreira. Marina
Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT) foram as únicas que não atenderam aos
gritos e passaram batido.
Os verdes – Na vez de Marina Silva, os jornalistas
tentaram convencê-la a se aproximar: “Vem para a grama, Marina, vem para
o verde”, gritaram alguns. A área destinada à imprensa ficava sobre um
gramado.
Voz fraca - Rouca, Marina não quis falar com a
imprensa quando chegou. Já a caminho da sala destinada a receber os
candidatos, fez um gesto com as mãos de que falaria depois. E cumpriu o
prometido.
A força do anel - Marina tem por hábito mexer na
aliança quando tem de discursar e, principalmente, falar sobre temas
espinhosos. Logo no início do debate, a candidata do PSB manipulava
nervosamente o anel que simboliza sua união com Fábio Vaz, técnico
agrícola, com quem é casada desde 1986.
Virgem – Uma das explicações para a falta de acesso à
imprensa aos candidatos foi a inexperiência da TV Aparecida em promover
debate entre presidenciáveis. “Foi para garantir que tudo desse certo”,
afirmou um integrante da organização.
Acordo – Segundo a assessoria de imprensa da CNBB, a
ausência de jornalistas na plateia foi condição imposta por dirigentes
de algumas campanhas para aceitar participar do debate. A entidade não
informou quais partidos fizeram o pedido.
Quente x frio – Enquanto o debate entre os
candidatos foi bastante monótono em frente às câmeras, com poucos
confrontos diretos entre os principais presidenciáveis, os bastidores
foram agitados. Uma jornalista que tentava ter acesso ao estúdio foi
barrada por seguranças da Presidência e chegou a ter o braço ferido.
Profissionais de imagem puderam ficar apenas 15 minutos próximos aos
candidatos e registrar poucas imagens.
Ginástica olímpica – O candidato do PSDB, Aécio
Neves, comentou o fato de ter perdido o segundo lugar na corrida
eleitoral. “A campanha eleitoral deu uma cambalhota depois da morte de
Eduardo Campos”, disse em referência ao trágico acidente que vitimou o
candidato do PSB e outros seis membros de sua equipe.
Gravata da discórdia – O tucano parece ter errado na
escolha do figurino e escolheu uma gravata vermelha para participar do
debate. A cor, em geral, é associada ao PT.
Bandeira branca – Principais oponentes nessas
eleições, Marina Silva e Dilma Rousseff vestiram branco para participar
do debate na CNBB. No caso da candidata do PSB, o uso de roupas em tons
claros tem sido a orientação de pessoas próximas para suavizar sua
imagem. Marina tem sido proibida de usar preto.
Entre nós - Ao contrário dos demais debates, o da
CNBB foi marcado pelo confronto direto entre Dilma e Aécio. Se o formato
obrigou Marina a debater com Levy Fidelix, a petista e o tucano
protagonizaram o momento mais tenso da noite ao falar de corrupção – que
incluiu pedidos de direito de resposta.
O falante – Diante dos apelos da imprensa, Aécio
Neves concedeu duas entrevistas coletivas aos jornalistas. Apostando na
“onda da razão”, aparentava alívio diante de uma nova pesquisa de
intenção de voto que indica que cresceu quatro pontos na preferência do
eleitorado.
Reforma política – Eduardo Jorge, candidato à
Presidência pelo PV, disse que recebeu uma proposta de reforma política
de Dom Raymundo Damasceno Assis, presidente da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB). “Não concordamos que as empresas financiem as
campanhas eleitorais”, disse o candidato.
Ataque ao marketing – Luciana Genro, candidata do
PSOL à Presidência, agradeceu à sua moda o convite para participar do
debate. “O debate é um recurso mais autêntico e não protegido por
marqueteiros como na propaganda eleitoral.”
Entendeu? – O candidato Eymael (PSDC) também
agradeceu o convite da CNBB e se disse injustiçado por ter sido excluído
de dois debates anteriores. “Vim aqui dizer quem é o Eymael e o que eu
fiz pelo Brasil”. Ao ser questionado sobre o que realmente fez pelo
país, o candidato respondeu: “Ajudei a construir uma sociedade livre e
justa e fazer do Brasil uma República Federativa.”
Metralhadora – Alvo de uma liminar concedida pela
Justiça Eleitoral a pedido da campanha de Dilma Rousseff, que suspendeu
os programas eleitorais que atrelavam o governo do PT ao escândalo do
mensalão, Pastor Everaldo (PSC) repetiu o discurso vetado. “O povo
brasileiro não aguenta mais corrupção, estamos diante de um mensalão 2”.
Líder isolado – Presidente nacional do PT e um dos
chefes da campanha de Dilma Rousseff, Rui Falcão ficou sem saber o que
fazer na espera pela presidente na entrada do debate. Após conceder
entrevista coletiva, e sem intimidade com bispos e padres, que faziam as
honras na recepção, se manteve com as mãos nos bolso e isolado em um
canto.
É por ali – A comitiva de Dilma Rousseff errou a
entrada na Basílica de Aparecida e precisou dar uma volta. Dilma foi a
última a chegar, faltando dez minutos para o início do debate.
Militância abraçada – Ao final do debate, Dilma Rousseff saiu do carro e fez questão de abraçar a militância do PT que a aguardava já de madrugada.
Fonte: Veja
