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segunda-feira, 25 de julho de 2016

EDITORIAL: Um melancólico apagar de luzes na velha política sãobentense

Tudo muda. De um jeito, ou de outro, invariavelmente as coisas mudam.
Na política, não é diferente.
Vi, ou melhor, ouvi, diversas vezes, a expressão que inicia essa nossa conversa. As situações, pessoas, coisas, nada permanece imutável. Não se atravessa o mesmo rio duas vezes, e ouso até dizer que nem se fala com a mesma pessoa duas vezes. Estamos em constante processo de mudança. As vezes evoluindo, as vezes regredindo.
Nos últimos meses tenho acompanhado de perto, ainda que de forma pouco participativa, mais como um observador, do desenrolar dos acontecimentos que vem modificando, de forma radical, a política no nosso pequeno município, o nosso São Bento do Trairi.
Ouvindo a “voz rouca das ruas”, e observando os gestos, o comportamento das pessoas, vejo que “novos tempos” se iniciam na nossa política. Velhos sistemas, como seria de se esperar, ainda teimam em permanecer no comando. Utilizam-se dos velhos hábitos da tradicional política para tentar se manter no poder. Tudo que é lícito (e por que não dizer, muitas vezes não tão lícito assim) é utilizado de forma a garantir a permanência dos antigos mandatários. Utilizam-se da discórdia, semeando conversas e plantando boatos. São os últimos suspiros de uma forma ultrapassada de liderar: Liderar pela submissão, pelo medo e pela utilização da máquina em favor de interesses próprios Explorando a necessidade de quem, e para quem se deveria governar. Deuses. Assim se achavam. Só não contavam eles com uma coisa: O povo.
“O povo é massa de manobra. Utilizamos como queremos e como bem entendemos.” Ouvi isso algumas vezes de determinada pessoa, ao se referir como pretendia (e como de fato fez) liderar a política e os destinos deste pequeno município. Acontece que, depois de certo tempo, tudo muda. A concepção do povo muda, os interesses mudam. O povo é dócil, mas essa docilidade é quebrada quando a arrogância, o absolutismo e a prepotência são utilizados como o chicote que maltrata as suas costas. As costas do mesmo povo que entregou seus destinos, que acreditou e que depositou confiança em determinado líder. Hoje, o povo se levanta.
Diante disso, há uma só certeza: O poder que o povo outorga, é o poder que o povo retira.
Vemos um tradicional sistema político desgastado, estraçalhado. Ao pensar que era absoluto, descuidou-se. No descuidar-se, errou. No erro perdeu-se. Ao governar em benefício de poucos, esqueceu-se dos muitos que o elegeram. Hoje, pergunta-se, na solidão política e no caminho do esquecimento: Onde erramos?
Erraram.
Erraram quando pensaram que o  poder de um mandato, ou dois, ou três, ou quatro, ou dez, seria eterno. Erraram quando se cercaram de “aliados políticos”, e não de amigos. Erraram quando trataram de forma errada a coisa pública, que a própria definição a coloca como de todos, e não de alguns. Erraram quando trataram mal, de forma desrespeitosa e muitas vezes caluniosa, seus adversários. Erraram. E pagam pelo erro.
Quem tinha tanto prestígio, quem achava que tinha poder ilimitado, acorda com a bofetada seca e implacável da realidade: O poder pertence ao povo. E é o povo que reclama de volta para si o poder que outorgou.
Aos tradicionais, resta a realidade. Tentam continuar, mas sentem que o último suspiro político se aproxima. Tentam se reorganizar, mas não há mais o que ser organizado. Suas tropas debandaram, e os que resistem, por lealdade ou por necessidade, estão de corpo e espírito quebrado, sem ânimo para a luta.
Saem de cabeça baixa, pela porta lateral da história. Sem festas de despedida, sem abraços emocionados, sem pompa. Nem muito menos circunstancia.
Apenas saem. Num triste e melancólico apagar de luzes.

J.



Josmari de Sales Costa é Funcionário Público Graduado em Marketing pela UNP – Universidade Potiguar



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